o que é senão uma flecha?
que rompe, que queima,
que rasga a barriga,
abala os sentidos...
Que desorienta.
Que fere e é terna.
Eternamente flecha.
Fere e é tua.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Água
Ele não podia correr. Por dois motivos: a sola do seu tênis ameaçava cair. O pé esquerdo. E suas pernas estavam exaustas. Quase em coma. Os que vinham se assustavam com sua expressão. Os que reparavam. Muitos simplesmente caminham e pronto. A resignação não vinha. Os primeiros pingos, sim. Molhavam seu rosto. Um afago molhado e indesejado. Como o carinho que a puta não pediu.
Teve que parar. O sinal fechara e os carros jogavam água nele. Chá de cidade. Frio. Luz verde, novamente. Voltou a andar. Ele não podia correr.
Mais uns passos e estaria em casa. Era tudo simples. Mas ele sentia cada passo. Cada poça. Sua meia apitava na sola velha. Queria chegar. Depois, logo se veria.
Algumas pombas tremulas se escondiam na marquise. Elas se agrupavam. Por necessidade. Não pareciam "envolvidas" nem nada disso. Talvez um casal, mais afastado do grupo. Estavam livres da passarada. Presos um ao outro. Os pescoços retraídos entre as penas. Quando sol, todos voariam. Eles, juntos. Mais lentos.
Ele passou a banca de jornal. Mais três prédios e o 101. A calçada brilhava. Parecia mais limpa que de manhã.
A rampa de cimento da garagem. As plantas da portaria. Olhou pra cima, piscando entre as gostas. As luzes estavam apagadas. Sala, quarto, tudo. Talvez mais uma volta no quarteirão...
Teve que parar. O sinal fechara e os carros jogavam água nele. Chá de cidade. Frio. Luz verde, novamente. Voltou a andar. Ele não podia correr.
Mais uns passos e estaria em casa. Era tudo simples. Mas ele sentia cada passo. Cada poça. Sua meia apitava na sola velha. Queria chegar. Depois, logo se veria.
Algumas pombas tremulas se escondiam na marquise. Elas se agrupavam. Por necessidade. Não pareciam "envolvidas" nem nada disso. Talvez um casal, mais afastado do grupo. Estavam livres da passarada. Presos um ao outro. Os pescoços retraídos entre as penas. Quando sol, todos voariam. Eles, juntos. Mais lentos.
Ele passou a banca de jornal. Mais três prédios e o 101. A calçada brilhava. Parecia mais limpa que de manhã.
A rampa de cimento da garagem. As plantas da portaria. Olhou pra cima, piscando entre as gostas. As luzes estavam apagadas. Sala, quarto, tudo. Talvez mais uma volta no quarteirão...
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Da parede do Pub de um tempo atrás
Some of my regrets:
Not kissing that lady at my best.
Not giving her the flower, or my chest.
Not showing my feelings, the fact
of being somehow a love marginal.
Not, not and not: I regret it all.
Not kissing that lady at my best.
Not giving her the flower, or my chest.
Not showing my feelings, the fact
of being somehow a love marginal.
Not, not and not: I regret it all.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Porre (um quase-diálogo)
Um copo de espuma.
"Que merda mal tirada!"
Hiato.
Mais um... e uns.
"Por favor! O que é isso, meu amigo?"
Outros.
Negligenciado subiu na mesa.
"Ô seu filho da puta!! Tá achando que eu sou quem, cacete?!"
Um gato passa na rua.
Assustou.
Maldito cachorro depois foi lamber-lhe a cara salgada de sangue.
"Que merda mal tirada!"
Hiato.
Mais um... e uns.
"Por favor! O que é isso, meu amigo?"
Outros.
Negligenciado subiu na mesa.
"Ô seu filho da puta!! Tá achando que eu sou quem, cacete?!"
Um gato passa na rua.
Assustou.
Maldito cachorro depois foi lamber-lhe a cara salgada de sangue.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Anestesia
Seus pés e mãos estavam desgraçadamente frios. Isso lhe dava raiva, muita raiva. Pensava naquele frio maldito como em um delinqüente operando a maior das vilanias: tolhia-lhe sublime das graças, seu calor, alegria e sua própria vida. Precisava dele, mas respirava com dificuldade ar que congela garganta, que congela afeição. Não conseguia gostar de ninguém no inverno. Falta música no inverno. Caminhava pelas ruas sem mirar pessoa. Puro ódio. Mataria sob aquele clima. E era o que mais queria... Mas, não. Os lábios roxos, as mãos em pedra e não sentia muito mais. Seu corpo dormia. Então, aproveitando-se da situação, sacou do bolso uma pequena faca, dessas de cortar laranja. Não pensou em laranjas, só podia detestar estar ali. O dedo mindinho foi o primeiro, quase não houve sangue, o frio era maior. Em seguida, o anular e uma lágrima. Minutos e a mão direita era só palma. Vermelha, vermelhíssima. "Quanto sangue agora!" Desmaiou sobre o concreto e acordou com samba, sorriu meia boca e de novo desmaiou. Chuva sobre o desvalido, que por reflexo virou de bruços. Um azar... Morreria mais tarde, mas antes sonhou com neve e que lhe beijavam a mão direita.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Dia da reflexão do cineasta acerca do sexo
Alberto Salvá:
(http://www.imdb.com/name/nm0759505/)
"Não sou um cineasta de idéias profundas. Mas há muitas coisas superficiais do ser humano que ninguém percebe, mas que mexem com você, como o sexo. Ninguém sai de uma relação sexual impunemente, todos nós saímos transformados dela, de alguma forma."
(http://www.imdb.com/name/nm0759505/)
"Não sou um cineasta de idéias profundas. Mas há muitas coisas superficiais do ser humano que ninguém percebe, mas que mexem com você, como o sexo. Ninguém sai de uma relação sexual impunemente, todos nós saímos transformados dela, de alguma forma."
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Simplesnamente
Nada mais complexo que o simples.
Nada mais belo que o simples.
Nada mais profundo que o simples.
Nada mais completo que o simples.
Nada mais certo que o simples.
Nada mais apaziguador que o simples.
Nada mais voraz que o simples.
Nada mais vivo que o simples.
Nada mais norueguês que o simples.
Nada mais sincero que o simples.
Nada mais que o simples.
Nem Tudo.
Nada mesmo.
Muitos simples para todos.
São os votos de Fabio CB e Antônio RN da Serra.
Patrocínio Olcadil.
Nada mais belo que o simples.
Nada mais profundo que o simples.
Nada mais completo que o simples.
Nada mais certo que o simples.
Nada mais apaziguador que o simples.
Nada mais voraz que o simples.
Nada mais vivo que o simples.
Nada mais norueguês que o simples.
Nada mais sincero que o simples.
Nada mais que o simples.
Nem Tudo.
Nada mesmo.
Muitos simples para todos.
São os votos de Fabio CB e Antônio RN da Serra.
Patrocínio Olcadil.
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