quarta-feira, 2 de julho de 2014

Quase Sorriso


Um quase sorriso invadiu o rosto dela. 

Os lábios esticados, as bochechas enrugadas e os olhos semicerrados. 

Um olho de cada tamanho. 

Seus traços, antes harmônicos, agora tortos e desequilibrados.

Por isso ela evitava situações de graça. 

Por isso ela não lia comédia.

Por isso ela fugia da praça.

Por isso ela não se envolvia com homem divertido.

Por isso ela não frequentava o circo e seus palhaços.

Por isso ela preferia não ter nascido.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Halley

1986: a criança ficou emburrada porque o pai que lhe tinha prometido uma camisa oficial da seleção havia se esquecido do presente. Em protesto, ela decidiu não sair naquela noite para passear com a família. Iriam todos ver o cometa Halley passar. A criança não foi, os outros sim. No dia seguinte, quando acordou, toda a família só falava do cometa. A criança então finalmente se animou com a ideia de poder observá-lo... Quando ouviu o que o irmão maior disse, arrependeu-se da birra e de não ter ido na noite anterior:
"Outra vez só daqui a 76 anos".

sábado, 10 de maio de 2014

Siameses

Irmãos siameses. 
Nasceram virados um de costas para o outro.
Um é fanático pelo estado e o outro pelo mercado.
Estão ligados pelos intestinos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Reflexos

Os reflexos de tinta em seu cabelo

Os pelos transparentes, bem manchados

Passando de vidro à carvão num só fio; Talvez uma linha

Numa batida de pálpebras pintadas de negro.


O relance torpe, enebriado

O embriagado lance; desatino

Parte seu, parte aparentemente desejado.

E o objetivo: Largo, algo descasado.

O final seco, com seus traços toscos.

E o desejo? O seu desejo.

E nada mais.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Do poder do controle da imagem

Pequenos poderes,
pequenos (?) perderes.

Paris, Le Louvre, 2012 
Martin Parr / Magnum Photos / Galerie Kamel Mennour

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Aforismo 01

A vingança é um prato que se come estúpido.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Gol da Alemanha


Euro 2012. Estreia da Alemanha no último sábado. Multidoes nas ruas de Berlim vestindo camisas da selecao. Levavam bandeiras e tinham as caras pintadas nas cores nacionais... Nao era muito diferente do nosso "clima de copa do mundo", aí no Brasil.
Comeca o jogo contra Portugal. Partida dura. O jogo é feio e tenso. Poucas chances de gol de lado a lado. Eis que, aos 27 minutos do 2° tempo, o centroavante Mario Gómez faz o que será o único gol do jogo e que define a vitória da Alemanha.
No momento do gol, ocorre algo que me recordarei pelo resto da vida: a comemoracao, com o grito de gol preso nas gargantas alemas por longos 72 minutos, é absolutamente distinta de tudo que conhecemos por "comemoracao de gol" no Brasil. O clima pré-jogo era igualzinho, mas na hora H, a vibracao era diferente. A comemoracao de gol na Alemanha simplesmente... nao é! Ninguém grita, nao se ouve um decibél a mais saindo pelas janelas, o silêncio obsequioso permanece pairando na atmosfera berlinense.
O jogo terminou Alemanha 1x0 Portugal. Mas, na comemoracao foi 0x0 mesmo.