quarta-feira, 2 de abril de 2014

Reflexos

Os reflexos de tinta em seu cabelo

Os pelos transparentes, bem manchados

Passando de vidro à carvão num só fio; Talvez uma linha

Numa batida de pálpebras pintadas de negro.


O relance torpe, enebriado

O embriagado lance; desatino

Parte seu, parte aparentemente desejado.

E o objetivo: Largo, algo descasado.

O final seco, com seus traços toscos.

E o desejo? O seu desejo.

E nada mais.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Do poder do controle da imagem

Pequenos poderes,
pequenos (?) perderes.

Paris, Le Louvre, 2012 
Martin Parr / Magnum Photos / Galerie Kamel Mennour

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Aforismo 01

A vingança é um prato que se come estúpido.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Gol da Alemanha


Euro 2012. Estreia da Alemanha no último sábado. Multidoes nas ruas de Berlim vestindo camisas da selecao. Levavam bandeiras e tinham as caras pintadas nas cores nacionais... Nao era muito diferente do nosso "clima de copa do mundo", aí no Brasil.
Comeca o jogo contra Portugal. Partida dura. O jogo é feio e tenso. Poucas chances de gol de lado a lado. Eis que, aos 27 minutos do 2° tempo, o centroavante Mario Gómez faz o que será o único gol do jogo e que define a vitória da Alemanha.
No momento do gol, ocorre algo que me recordarei pelo resto da vida: a comemoracao, com o grito de gol preso nas gargantas alemas por longos 72 minutos, é absolutamente distinta de tudo que conhecemos por "comemoracao de gol" no Brasil. O clima pré-jogo era igualzinho, mas na hora H, a vibracao era diferente. A comemoracao de gol na Alemanha simplesmente... nao é! Ninguém grita, nao se ouve um decibél a mais saindo pelas janelas, o silêncio obsequioso permanece pairando na atmosfera berlinense.
O jogo terminou Alemanha 1x0 Portugal. Mas, na comemoracao foi 0x0 mesmo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Causo no metrô

Hoje, no meu vagao do metrô embarcou um sujeito igual ao Chuck Norris, só que era caolho, com direito a tapa-olho de pirata e tudo.
Eis que na penúltima estacao, me adentra o vagao um desses músicos de metrô com seu acordeón e bigode de malandro. Esse músico em particular é um porra-louca que já vi até fungar o cangote das alemas mais inibidas. Gosto de pensar que ele é colombiano, mas pode ser que seja turco, etc.
Enfim... O cara tocou sua musiquinha no vagao apertado, e ao chegarmos à estacao final, foi pedir a contribuicao dos demais passageiros. Estou saindo do trem, quando ouco o seguinte diálogo:
- Ei, vc nao tem olho?
- Ahn?
- Vc vendeu seu olho, foi?
Chuck Norris caolho respondeu com uma pergunta incisiva que juro que nao entendi, mas que nossa imaginacao permite incluir progenitoras latinoamericanas e o que mais couber numa frase curta.
A partir daí, comecei a seguir Norris pirata, que coincidentemente tomaria o mesmo tram que eu. Entro no tram, esperando que ele faca o mesmo. No entanto, nosso herói do tapa-olho acende de maneira um pouco nervosa um cigarro e fuma-o do lado de fora enquanto o veículo parte me levando.
Espero que tenha tomado o próximo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Herbstbrief

(para Antonio Souzadias, in memoriam)

São só as folhas amarelas caindo,
eu me digo.
Por aqui, choram até árvores.
Por aqui, somos saudades,
meu amigo.

Nesta estação que venta lágrimas,
São tantas folhas amarelas caindo.

sábado, 2 de abril de 2011

Santa Cruz, de Christoph Ruckhäberle


Santa Cruz, 2003
Óleo sobre tela, 190 x 280 cm.